quarta-feira, 18 de novembro de 2009


A casa de D. Joana
é bem na frente da minha
uma porta, uma janela
uma parede branquinha
que imita o cabelo dela
que imita a nuvenzinha
que passa agora lá no céu
e quando de tardezinha
é comum se ver por ali
pessoas pequenininhas
na pequena calçada
e me bate uma saudadezinha
apertada, apertada
Ah, D. Joaninha...
que nunca mais a vi
faz uma forcinha
e na tarde que vem
apareça na janelinha
pr'eu ver que tá tudo bem.

Lua
(baseado em fatos reais)

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

mona, moninha, mon, etc, etc

Tarde da noite, madrugada
a cidade dorme, tranquiliza
todo sopro parece brisa
e ela está acordada
pensa numa fórmula concisa
de deixar a vida organizada
Dorme, Monalisa
que amanhã, já de dia
carregarás no teu bolso
a cidade que ontem dormia
Vai, Monalisa,
alisa a cabeça do moço
que ele muito te precisa
o teu esforço é uma camisa
de força, de flores no fim do poço
é de lá que você se retira
muitas vezes sem reforço

Peço pelos dias do ano
não desespera nem agoniza
pede à Deus que Ele realiza
tua fé, um oceano
Já entardece e a lua avisa
deixa que a cidade se transforme
agora, só uma coisa, Monalisa
... dorme.
Lua
(da série: aos amigos)

ó ela aqui, ó

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

A bandeja é sua quando você pega.
ela sustenta seu prato,
seu copo não escorrega,
deixa tudo organizado...
E sem que nada interfira,
estão você e ela
Amizade de plástico
momentaneamente eterna.
Eis que chega o funcionário,
Destruidor da ordem escolhida,
cavaleiro dos templários,
ou coisa muito parecida,
e lhe tira o objeto que deseja
A ação jamais esquecida
Já não é agora uma bandeja,
é uma célula da sua vida
Foi-se embora num sutil e educado:
"Licença, posso retirar?"
Lá vai ela naqueles braços...
Já não se pode mais enxergar.

Evite sofrimento,
frieza e calculismo.
Grite numa só voz:
"Não. Não ao bandejismo!"


(algumas pessoas entenderão. Outras..)

sábado, 24 de outubro de 2009

Está decretado,
terminantemente,
inter-nacional_
mente, universal:
Ninguém pode mais
dar adeus aos seus pais,
aos seus amigos,
recentemente conhecidos.
Não acene do navio
como um lenço na mão
chorando um rio
que é bem capaz
de ser castigado.
Cuidado, rapaz, cuidado
Não se despeça jamais
de um lugar que goste
E é bom mesmo que aposte
toda alma que você tem
e preocupe-se não com o que vem,
e esqueça tudo na vida
que recorde o que lembre despedida.
Foi por quase dizer adeus
(pular no profundo abismo)
que criei a melhor teoria:
utopia do não-despedismo.
Lua

(ps.: despedistas revolucionários,
por favor, vão embora)

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

desfeito São João


Olha pro céu, meu amor
Veja só ele caindo
Olha pro chão que não tem uma flor
Nem ninguém passa sorrindo

Lembro que à noite tinha seresta
Hoje ninguém tem coração
Olho pro céu, brilho não resta
Mesmo na noite de São João

Não há ninguém a cantar
Está vazio o salão
E no terreiro está a chorar
Quem abandonou um coração...
Lua

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Até ontem, tudo bem
Tudo nos seus.
Não chorava ninguém
Hoje, só Deus
sabe da minha prece
"Um dia", "quando",
Não acontece
Não vem
Eu só peço
amanhã
tudo bem.

Lua

segunda-feira, 21 de setembro de 2009


Eu vi um abraço na rua.
mas abraço não é coisa que se sabe
é coisa muito sua
só (à) você cabe
você e a pessoa abraçada
pode ser de chegada
de partida, de saudade
de amasso...
há de ter felicidade
quem ganhou um abraço.

Lua